Amorzinho Amor não significa o que, normalmente, entendemos como tal

Amorzinho

amor

Amor não significa o que, normalmente, entendemos como tal. O amor
comum é um simples fingimento; há algo oculto por trás dele. O verdadeiro
amor é um fenômeno totalmente diferente. O amor comum é exigente, o
verdadeiro amor é partilha. Nada conhece de imposição; só a alegria da dádiva.
O amor comum vive de aparências. O verdadeiro amor é autêntico;
simplesmente, é. O amor comum é quase doentio, adocicado, escorre, é o que
chamamos “amorzinho”. É enjoativo, nauseante. O verdadeiro amor é alimento,
fortalece a alma. O amor comum só alimenta o seu ego – não o seu verdadeiro
eu, mas o seu eu ilusório. Lembre-se de que o irreal alimenta sempre o ilusório,
mas o autêntico alimenta o verdadeiro.
Torne-se um servidor do verdadeiro amor – e isto significa tornar-se um
servo do amor na sua pureza última. Dê, distribua o que tem, reparta e goze a
partilha. Não o faça como se fosse um dever – senão toda a alegria desaparece.
E não se sinta obsequioso em relação aos outros, nunca, nem por um único
momento. O amor nunca é constrangimento. Pelo contrário, quando alguém
recebe o seu amor, você sente-se obsequiado. O amor é grato quando recebido.
O amor nunca espera ser recompensado ou mesmo agradecido. Se o
agradecimento surge do outro lado, o amor surpreende-se sempre – é uma
surpresa agradável, visto não ter expectativas.
Não se pode frustrar o verdadeiro amor, visto não existirem quaisquer
expectativas inicialmente. E não se pode satisfazer o amor irreal, porque este
está tão enraizado em expectativas que, independentemente do que se faça, a
sua realização fica sempre aquém do que se esperava. As expectativas são
demasiado elevadas e ninguém as consegue satisfazer. Assim, o amor irreal traz
consigo frustração e o verdadeiro amor, satisfação.
Quando digo “seja um servo do amor”, não pretendo que se torne um
escravo de alguém que ame, não, nada disso. Não pretendo que seja cativo de
um amor. O que quero dizer é que seja servo do amor. O conceito puro de amor
deve ser venerado. O seu amado é somente uma das formas deste conceito e
toda a existência contém milhões de formas desta ideia perfeita. A flor é uma
ideia, uma forma, a Lua outra, o seu amado ainda outra… o seu filho, a sua mãe,
o seu pai, todos são formas, ondas no oceano do amor. Mas nunca se torne
servo de um amor. Lembre-se sempre de que o seu amado é só uma minúscula
manifestação.
Sirva o amor através do amado, para que nunca fique prisioneiro dele. E
quando alguém não é prisioneiro do amante, o amor atinge o seu auge. No
Amor, Liberdade e Solidão 5
momento em que se deixa prender, a queda leva-o para baixo. Devotar-se é
semelhante a gravitar – desligar-se é a graça. O amor irreal é um sinônimo de
devoção; o amor verdadeiro é muito desprendido.
O amor irreal demonstra muita preocupação – está sempre preocupado. O
verdadeiro amor é ponderado, mas não tem preocupações. Se ama
verdadeiramente um homem, deverá estar atenta às suas verdadeiras
necessidades mas não demonstrar qualquer preocupação desnecessária com as
suas estúpidas e loucas fantasias. Deverá ter em atenção todas as suas
necessidades, mas não estar junto dele para satisfazer os seus desejos fictícios.
Não satisfará nada que na realidade irá magoá-lo. Por exemplo, não irá alimentar
o seu ego, ainda que o seu ego o exija – isto significa que está a envenenar o
seu amado. Apreço significa que será capaz de perceber que esta não é uma
necessidade real, mas do ego; e não irá satisfazê-la.
O amor conhece a compaixão, mas não a preocupação. Por vezes é difícil,
porque por vezes é necessário ser-se duro. Por vezes é muito reservado. Se o
distanciamento ajudar, afaste-se. Por vezes é muito frio; se for necessário ser
frio, seja-o. Qualquer que seja a necessidade, o amor é atento – mas não
preocupado. Não satisfará qualquer necessidade fantasiosa; não satisfará
nenhuma ideia venenosa no outro.
Procure, medite no amor, experimente-o. O amor é a maior experiência da
vida, e aqueles que vivem sem experimentar a energia do amor nunca
conhecerão o que é viver. Permanecerão na superfície, nunca conseguido
alcançar a sua essência.
O meu ensino é orientado para o amor. Posso abdicar facilmente da palavra
Deus – não há qualquer problema -, mas não posso esquecer a palavra amor.
Se tiver de escolher entre as palavras amor e Deus, escolho a primeira;
esquecerei tudo sobre Deus, porque todos os que conhecem o amor estão
destinados a conhecer Deus. Mas o inverso não acontece: os que teorizam
acerca de Deus e filosofam acerca de Deus poderão nunca conhecer o amor – e,
igualmente, não conhecerão Deus.

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